Governo municipal tenta amenizar o caos provocado pelo Estado na saúde

Na manhã desta quinta-feira (2), o prefeito Nardyello Rocha e a secretária municipal de Saúde, Érica Dias Souza Lopes, receberam na sala de reuniões do Hospital Municipal Eliane Martins (HMEM) o superintendente do Hospital Márcio Cunha, Mauro Oscar. Durante o encontro, o gestor municipal foi informado sobre a decisão do corpo clínico do HMC de retomar o trabalho de atendimento à população pelo SUS, relativo a internações, consultas, exames e cirurgias eletivas, que havia sido interrompido no dia anterior, em função de uma dívida do governo de Minas acumulada em R$ 32 milhões. A Fundação São Francisco Xavier (FSFX), que administra o Márcio Cunha, adiantou que serão aguardadas 72 horas úteis para que se consiga realizar interlocuções pelo Executivo junto às esferas políticas do Estado e da União.

A dívida do governo estadual com o município de Ipatinga, apenas na área da saúde, já ultrapassa os R$ 70,5 milhões. Deste total, acumulado desde 2013, 45% são devidos ao HMC para atendimento a pacientes do SUS.

Com a trégua dada pelo corpo clínico do HMC, os serviços prestados ao SUS voltam à normalidade até terça-feira (7). O prefeito Nardyello Rocha considerou o prazo curto, tendo em vista o período das convenções partidárias que vão até domingo, mas ponderou o interesse dos dirigentes do HMC em mostrar flexibilidade no momento complexo.

“Temos que ressaltar a demonstração do quadro clínico que mostram interesse em negociação. Quero agradecer ao HMC por ter atendido ao nosso pedido e retomar os atendimentos pelo SUS, porque estamos preocupados com sobrecarga de pacientes no Hospital Municipal por falta de transferência para o HMC e automaticamente isso deságua na UPA. É uma corrente, e chega a um momento que fica impraticável, e a saúde de Ipatinga entra em um caos, mesmo porque a UPA é porta aberta para o colar metropolitano. Se o tempo é curto ou não, isso não importa, vou procurar me empenhar”, garantiu o prefeito.

Negociação

Durante a reunião, o prefeito Nardyello Rocha fez contato por telefone com o deputado Federal Leonardo Quintão, o qual mostrou preocupação e interesse em resolver o problema. O parlamentar antecipou que já solicitou uma agenda ao Governador do Estado. “E nós já conseguimos agendar esta reunião para segunda-feira (6) às 9h30 na Cidade Administrativa. Eu estarei lá com o prefeito Nardyello e representantes da Fundação São Francisco Xavier (FSFX). Estamos na luta para diminuir este sofrimento de Ipatinga”, frisa o deputado. ”, frisa o deputado.

Até lá, o gestor municipal tenta mobilizar os prefeitos da região, já que as unidades hospitalares de Ipatinga atendem também outras Cidades do Colar metropolitano do Vale do Aço. “Vou convidar os prefeitos das cidades vizinhas que também estão sofrendo com esta situação para que possamos fazer esta intervenção e ajudar no que for possível para o recebimento desses recursos, que é devido pelo Estado ao Hospital Márcio Cunha. Vamos solicitar intervenção de outros deputados”, enfatizou o prefeito.

Momento político

Nardyello Rocha esclareceu que o momento é complexo diante das convenções partidárias, já que dirigentes de legendas estão focados nas coligações finais com vistas para as próximas eleições de outubro. “Eu havia pedido o prazo de 15 dias para poder conversar com Estado levando em consideração a essa situação que estamos vivendo no momento, mas independente disso iremos trabalhar para que seja o mais rápido possível. Não vamos criar expectativa em relação à data, mas o importante é afirmar que o trabalho de negociação já começou a ser feito na manhã desta quinta-feira”, finalizou o prefeito.

Impacto

Com a paralisação do corpo clínico do Hospital Márcio Cunha houve aumento na demanda de atendimentos na Unidade de Pronto Atendimento de Ipatinga (UPA). Isto porque os internados na unidade não puderam ser transferidos para o Hospital Municipal por falta de leitos, uma vez que os pacientes do Eliane Martins não foram remanejados para o HMC.

A Secretária Municipal de Saúde Érica Dias Souza disse que hoje existem na UPA uma média de 25 pacientes internados, mas que uma força-tarefa da unidade já analisa a possibilidade de alta desses pacientes. “O Hospital Municipal também já fez uma força tarefa e já começamos a liberar leitos para pacientes da UPA dentro da complexidade que o hospital tem condição. E já recebi um comunicado falando que todo agendamento de exames de mamografia, de eletros e cirurgias eletivas já estão voltando ser reagendados a partir de hoje no Hospital Márcio Cunha”, afirmou Érica.

 

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